Caro compatriota,
foi por não poder mudar o meu país e, sobretudo, por saber que ele estava entregue a homens sem coragem nem moralidade, que preferi vir-me embora, tomando a decisão mais difícil da minha vida e afastando-me dessa gente sem escrúpulos nem valores que, em nome da Liberdade e da Democracia, cometia os mais hediondos crimes, saqueando, matando e violando um povo ingénuo, a quem prometia uma " democracia proletária ", igualitária e solidária.
Contra esses políticos demagogos e os ilusionistas que se seguiram não me tenho cansado de escrever, que é a única coisa que posso fazer realmente.
Há meses, quando Vossa Excelência se propôs MUDAR Portugal e acabar de vez com esse círculo vicioso por onde gravitam e parasitam as mentes poluídas e depravadas da democracia promíscua, podre e adúltera que se tornou a nossa, também escrevi e previ a sua eleição por larga maioria.
Senhor Passos Coelho,
mais do que ninguém, você sabe que o sucesso exige determinação, coragem e muito trabalho e só abraça quem o sonha e persegue com tenacidade; tambem sabe, vossa excelência, que na vida são as dificuldades e as contrariedades que nos fazem crescer e que a facilidade e a futilidade são a via rápida que conduz ao fracasso; sabe ainda, e sobretudo, que dos fracos não reza a história!
Antes de concluir esta carta e para elucidar o meu propósito, quero recordar-lhe um triste episódio da democracia portuguesa.
Há anos, Portugal vivia uma situação tirada a papel químico da atual: o governo minoritário do engenheiro Guterres precisava de aprovar o orçamento, porque senão caíam o Carmo e a Trindade e era uma vergonha para Portugal.
Apadrinhada pelo Presidente da República, e negociada por algum " boy-esperto " engendraram os governantes autistas e " socialistas " uma solução miraculosa: já que a oposição era pura e dura e não a podiam corromper, decidiram comprar um " queijo limiano " para aliciar e empanturrar um deputado e a sua consciência sofresse de amnésia ou a sua mente fosse atacada de Alzheimer fulminante na ora de votar tal orçamento.
E foi com essa Proposta Indecente que a promiscuidade fez a sua entrada triunfal na Assembleia da República, o areópago da democracia !
Passados dias, se bem me lembro, lá se dirigiu o Senhor Presidente da República prestar homenagem e vassalagem ao " intrépido e valoroso " limiano, a quem presenteou com os cheques cor-de-rosa com que salvou a fábrica do queijo e construiu mais umas estradas.
É esta e assim a Honra à portuguesa !
Hoje sabe-se, que é graças a esse " herói " ou " corrupto " de circunstância,- que sumiu do mapa, deixando o país entregue a quem Vossa Excelência deve saber e conhecer melhor do que eu, por com eles eles negociado e pactuado - e a todas as " mentes brilhantes " da Proposta Indecente que Portugal chegou a este ponto.
É a facilidade e a promiscuidade que têm afundado o nosso país !
Nunca se esqueça, senhor Passos Coelho, é que nas falsas vitórias que se constroem as verdadeiras derrotas.
Antes de concluir, como seu amigo que sou e porque acredito em Vossa Excelência e o creio um Homem justo, um patriota corajoso e um político incorruptível, permito-me uma sugestão: fale ao país, explique as armadilhas em que a nação portuguesa está atolada, fale aos jovens e peça-lhes que o ajudem a Mudar realmente Portugal.
Se não o seguirem, retire-se, como eu o fiz há 35 anos.
Por favor, nunca traia a sua consciência e não tenha medo da derrota, porque a sorte sorri sempre aos audazes.
Com os melhores cumprimentos, me subscrevo
